Por Egle Leonardi

Má digestão, ou dispepsia, agrega diversos distúrbios gástricos que ocorrem por conta dos abusos cometidos durante as festividades de fim de ano

 

As celebrações do Natal e do Ano Novo são festividades que costumam oferecer alimentos típicos que geralmente agradam ao paladar de pessoas das diferentes regiões brasileiras. Nessa época os brasileiros costumam se confraternizar à mesa, quando consomem grandes quantidades de carnes gordurosas (tender, leitão, costela etc.), frituras, salgadinhos, embutidos, maionese, queijos gordos, massas com molhos cremosos, creme de leite, chantilly, refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Numa mesa típica, em que são expostos vários desses pratos, se uma pessoa decidir experimentar uma porção de cada um, certamente, no final da refeição terá cometido excessos muito perigosos para a saúde.

“O excesso de comida nessas festas pode sobrecarregar o sistema digestivo”, fala o gastroenterologista membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Laércio Tenório Ribeiro. Ele continua: “Nosso estômago é extremamente resistente. Não se deixa maltratar por qualquer coisa. Mas não estamos falando apenas em alimentos, mas no excesso deles. Todos concordam que qualquer excesso é prejudicial, seja de alimentos ou da falta deles”.

INTOLERÂNCIA

Ele explica que esses alimentos, por si só, não são agressivos para o estômago. Quando algum deles causa sintomas num determinado indivíduo, possivelmente há algum tipo de intolerância individual ou alguma doença subjacente.

Já o intestino, mesmo quando não há intolerância, pode apresentar distúrbios no seu funcionamento quando recebe excesso de alimentos, principalmente aqueles que não são de uso habitual. Desta forma, Ribeiro adverte que, mesmo um alimento bem preparado, sem contaminação alguma, pode causar problemas como distensão abdominal, diarreia e dores abdominais quando em excesso.

SINTOMAS

Os sintomas mais comuns de uma indigestão, ou dispepsia, são bastante desagradáveis, como dilatação gástrica, ruídos abdominais, cólicas, flatulência, náuseas, vômitos e azia. Neste último caso, para realizar a digestão, o estômago produz um ácido que pode subir pelo esôfago e provocar uma sensação de ardor. O esôfago, que não tem um revestimento protetor igual ao do estômago, fica inflamado e provoca uma dor forte no tórax.

Segundo dados de um estudo publicado pela revista Arquivos de Gastroenterologia, mais de 60% dos brasileiros apresentam azia. Desse total, 12% têm o sintoma uma ou duas vezes por semana, enquanto 7% sofrem com o problema mais de uma vez por semana, o que caracteriza a Doença do Refluxo Gastro-Esofagiano (DRGE). De todas as pessoas entrevistadas – 14 mil habitantes de 22 cidades – entre 9% e 10% sofrem com o refluxo. Esse quadro é agravado com os excessos alimentares e de bebidas alcoólicas.

SOFRIMENTO CONSTANTE

O sintoma ainda necessita de dados mais precisos sobre sua incidência, mas estudos apontam que cerca de 7% da população mundial sofrem de azia diariamente, 15% semanalmente e 50% apresentam intervalos mensais.

Os números assustam: os casos de incidência de azia quadruplicaram em 20 anos no Brasil. Cerca de 20% a 40% dos pacientes têm azia devido à outra doença: a Doença do Refluxo Gastresofágico.

TRATAMENTO

Para o tratamento dos casos de simples desconfortos provocados por azia e indigestão, que provocam o refluxo, o médico indica produtos que associam alginato de sódio, bicarbonato de sódio e carbonato de cálcio, que proporcionam alívio imediato dos sintomas.

No entanto, a prevenção é a melhor amiga nesses casos. Não se deve exagerar na quantidade de comida. Vale lembrar que os ácidos gástricos podem ser empurrados à força para o esôfago se houver muita comida no estômago.

NÃO VÁ PARA A CAMA

Se o estrago já foi feito e o excesso aconteceu, vale a dica de não se deitar após uma farra alimentar. Na posição deitada, a gravidade pressionará para que os ácidos tendam a voltar juntamente com o excesso de comida. Se a pessoa for para a cama, deve levantar um pouco a cabeceira por meio de um calço, já que manter a cama inclinada evita o regresso do conteúdo estomacal.

ATUAÇÃO DOS ANTIÁCIDOS

O objetivo do tratamento é evitar a produção de ácido no estômago ou neutralizá-lo. Os bloqueadores dos receptores H2 para a histamina, incluindo a cimetidina, a famotidina, a nizatidina e a ranitidina reduzem a quantidade de ácido produzido no estômago e ajudam a prevenir o ardor. Os antiácidos são agentes neutralizadores e atuam mais rapidamente. Apesar de os antiácidos não conseguirem neutralizar completamente o pH extremamente ácido do estômago, podem elevar o pH de 2 (muito ácido) para valores entre 3 e 4. Isso neutraliza quase 99% do ácido do estômago e alivia, de forma significativa, os sintomas na maioria das pessoas.

A maior parte dos produtos antiácidos contém um ou mais dos quatro componentes principais: sais de alumínio, sais de magnésio, carbonato de cálcio e bicarbonato de sódio. Todos os componentes atuam num minuto ou menos, mas a duração do seu efeito é variável. Alguns produtos aliviam os sintomas durante 10 minutos, aproximadamente, enquanto outros são efetivos durante mais de uma hora e meia. Os bloqueadores histamínicos necessitam de mais tempo para agir, mas o seu efeito é mais prolongado.

Fonte: Sociedade Brasileira de Gastroenterologia

 

EVITE

Existem alimentos que agravam a azia e a má digestão, pois, de alguma maneira, fazem mal à mucosa do esôfago e do estômago. São eles:

  1. café, chá preto e chá mate – por conter cafeína;
  2. alimentos ácidos e cítricos;
  3. tomate e produtos derivados;
  4. bebidas gaseificadas (como refrigerantes e cervejas);
  5. bebidas alcoólicas; e
  6. alimentos gordurosos.

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