Ao comprar um protetor solar, mais da metade dos brasileiros só se preocupa em se proteger das queimaduras solares, ou seja, só observam o FPS. Esse é um dado da última pesquisa realizada pelo terceiro ano consecutivo e liderada pelo consultor e pesquisador em Cosmetologia, Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma e do IPUPO Educacional.

“Apesar do número de pessoas que ignora a proteção UVA ao comprar um filtro diminuir ano a ano, de acordo com a pesquisa (77% em 2014, 71% em 2015 e 51% em 2016), ainda é necessário conscientizar mais da metade da população sobre os riscos da radiação ultravioleta A”, explica o pesquisador, que atua desenvolvendo filtros solares há mais de 10 anos.

A radiação UVA está presente na natureza em níveis muito maiores e mais expressivos que a radiação UVB (que causa queimaduras solares), e embora menos energética, é uma das mais perigosas. Diferente da UVB, a radiação UVA atravessa vidros e janelas e penetra profundamente na pele, chegando até a derme, camada mais profunda da pele e onde se localizam as fibras de colágeno e elastina, gerando uma quantidade altíssima de radicais livres. Os radicais livres gerados por esta radiação causam aumento da degradação das fibras de colágeno e elastina, que dão sustentação à pele, sendo as principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento, incluindo rugas, linhas de expressão, flacidez e manchas. Para a pesquisa, foram entrevistadas 1307 pessoas de 21 capitais brasileiras.

            Portilho enfatiza que existe uma lei da ANVISA (RDC nº 30 de 1º de junho de 2012) que obriga que o valor mínimo de proteção UVA deve corresponder a 1/3 do valor do FPS (que protege contra UVB). “Portanto, um filtro com fator 30 deve ter no mínimo PPD (que protege contra UVA) 10, o FPS 60 deve ter no mínimo 20 e assim por diante. A partir de PPD 8 já temos uma excelente proteção UVA”, afirma. Um dos pontos em que o consumidor deve se atentar é com relação aos produtos multifuncionais. Um produto antirrugas com FPS 30 se não apresentar proteção UVA, ele não é considerado um filtro solar e não protege contra todos os malefícios dessa radiação e o envelhecimento precoce. Portanto, não é ideal que esse produto substitua o fotoprotetor.

Outros dados — A pesquisa também constatou que o número de brasileiros que não aplicam filtro solar diariamente aumentou e já chega a quase 2/3 dos consumidores. De acordo com os números, 65% da população não aplicam o filtro solar diariamente — em 2015, esse percentual era de 53% e, em 2014, 57%. A redução no uso diário do filtro mostra que a conscientização não fez com que a população fizesse uso correto e diário do fotoprotetor. Talvez pelo alto custo e situação de crise financeira que se instaurou, a proteção solar ficou como segundo plano de consumo. “Vale lembrar que o Brasil é um dos países com maiores índices ultravioleta do mundo por se localizar numa região tropical do planeta e onde a exposição solar é uma cultura que está comumente associada a hábitos saudáveis; o que, como já se sabe, nem sempre é verdade”, completa Portilho.

Bronzeamento — A pesquisa revelou que cresceu a conscientização dos consumidores sobre aos malefícios do bronzeamento. Com relação ao percentual das pessoas que ainda consideram o bronzeamento uma prática saudável, os números também sofreram queda: 40% em 2014, 37% em 2015 e 15% no último ano.

Câncer de pele — Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o câncer de pele não-melanoma (não maligno), causado pelo sol, é o mais incidente no Brasil dentre todos os outros tipos desta doença, com cerca de 134.000 novos casos em 2012 e 2013. Também de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil registrou em 2013, aproximadamente, 6.230 novos casos de melanoma (maligno), o mais letal e agressivo dos tumores cutâneos, sendo 3.170 em homens e 3.060 em mulheres. A estimativa de casos em 2016 é de 175.760, sendo 80.850 homens e 94.910 mulheres.

Hábitos e uso do filtro — A pesquisa ainda demonstrou hábitos dos consumidores com relação ao uso do filtro solar:

– 69% dos entrevistados não reaplicam o fotoprotetor, percentual igual ao de 2015 (71% em 2014);

– metade da população não utiliza o produto em dias nublados (74% 2015 e 70% em 2014);

– FPS 30, 50 e 60 são os preferidos dos usuários;

– apenas 6% consultam o dermatologista para indicação do melhor filtro (13% em 2015 e 14% em 2014);

– 32% aplicam o produto apenas no rosto (53% em 2015 e 52% em 2014);

– 41% se expõem ao sol apenas pela manhã por acreditar ser o horário mais seguro (52% em 2015 e 55% em 2014);

– apenas 7% utilizam roupas para se proteger do sol (10% em 2015 e 8% em 2014).

Portilho explica que, para a pesquisa de 2016, foi adicionada uma nova pergunta sobre a aplicação correta da quantidade de filtro solar: 27,62% disseram acreditar que usa a quantidade correta e outros 8,80% alegaram não aplicar corretamente; 43,15%, a maioria dos entrevistados, disseram não saber se aplica corretamente, em uma quantidade certa.

Por meio dos números, o pesquisador analisa que ainda são necessárias medidas de larga escala para esclarecer à população sobre os malefícios da radiação UV, principalmente no que diz respeito à radiação UVA, e que ainda se fazem necessárias campanhas de conscientização sobre o uso correto dos filtros solares.

Dados 2014 2015 2016
População Ignora a Proteção UVA ao Comprar o Filtro Solar 77%

 

71% 51%
Ainda Consideram o Bronzeamento Uma Prática Saudável 40% 37% 15%

 

População se Expõe ao Sol Pela Manhã por Acreditar ser Este o Horário Mais Seguro 55% 52,94 41,01

 

Entrevistados Não Aplicam Filtro Solar Diariamente 57% 53% 65%

 

Entrevistados Não Reaplicam Filtro Solar 71% 69% 69%

 

Entrevistados Recorrem Ao Dermatologista Para Indicação do Melhor Filtro a Ser Utilizado 14% 13% 6%
FPS  Preferidos dos Brasileiros 30 e 50 30 e 50 30, 50 e 60
Aplicam o Filtro Solar Apenas no Rosto 52% 53% 32%
Brasileiros Não Aplicam Fotoprotetor em Dias Nublados 70% 74% 50%

 

Utilizam Roupas para se Proteger do Sol 8% 10% 7%
Entrevistados Não Sabem a Quantidade correta de aplicação de  Filtro Solar x x 43,15%

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