Na ânsia de ajudar os filhos a escolher a profissão, os pais acabam influenciando-os com suas vontades e desejos, e isso acarreta em problemas futuros

Na hora de escolher a profissão, os adolescentes costumam contar com a ajuda – nem sempre bem-vinda – dos pais. Na ânsia de auxiliar os filhos a trilhar seus próprios caminhos, os pais acabam projetando suas vontades e desejos – e isso acarreta em problemas lá na frente. “Se você reparar, na formatura, muitos jovens fazem um gesto com o canudo, dizendo: pronto, pai, concluí o seu desejo, me formei no que você queria, mas agora vou seguir a minha vida”, explica o professor, psicólogo, orientador vocacional do Curso Positivo e autor do livro Profissões: Pais Preocupados, Filhos Inseguros’, Ivo Carraro.

Mas como o jovem deve agir nesse momento chave? Uma saída é conversar com um psicólogo. O problema é que nem todas as escolas dispõem desse profissional. “Há um projeto para que as escolas contem com pelo menos um psicólogo. Isso ajudaria muito na hora do jovem escolher sua profissão”, defende a professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo (UP), Maisa Pannuti.

OS PAIS SÃO FUNDAMENTAIS NESSA HORA

Outro caminho é o jovem contar com o apoio dos pais, visitando juntos feiras de profissões e identificando habilidades e competências do estudante. Carraro explica que as pessoas escolhem suas profissões com base em seu desenvolvimento cerebral. Por exemplo: uma pessoa que desenvolveu mais o lado linguístico terá mais aptidão para cursos como Jornalismo, Direito e Letras.

É preciso entender também que o processo de escolha não é nada simples. Como ele acontece na adolescência, uma fase de muitas mudanças, é comum que o jovem decida por uma profissão e, depois, mude de ideia. E não apenas uma vez. Nesse caso, a melhor solução é tempo e paciência. “A mudança cerebral que acontece nessa fase da vida significa mudança de prazeres”, explica Carraro. “A adolescência, por si só, é uma fase cheia de conflitos e dúvidas, mas isso também é positivo na hora da escolha profissional”, pontua Maisa.

TUDO BEM MUDAR

Nem sempre o curso de graduação escolhido é levado até o fim. E as estatísticas provam que isso é mais comum do que se pensa. Por isso, o processo de orientação profissional é importante. “A orientação profissional leva o aluno a descobrir o que lhe é prazeroso”, afirma Carraro.

Para diminuir as estatísticas, o professor desenvolveu um método de orientação profissional que ele aplica no Curso Positivo. Por meio das habilidades e potencialidades chega-se a profissão com qual o aluno mais se identifica. “Ninguém nasce sabendo. Ao desenvolver as habilidades – linguísticas, espaciais, matemáticas, é que o aluno vai poder escolher a profissão com que mais se identifica”, conclui Carraro.

Há também casos de pessoas que se formam, mas depois da conclusão do Ensino Superior dão uma virada de 360º. Foi assim com o engenheiro eletricista Fernando Granato: “Descobri meu caminho depois da graduação. Entrei na área da educação e hoje sou um empreendedor, bem diferente da minha formação acadêmica”, explica. “As pessoas precisam se conhecer e se questionar: qual é o meu sonho, qual é o meu talento?”, aconselha.

NO COMMENTS

LEAVE A REPLY